quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Decepção

talvez por criar expectativas
embora quero crer na reciprocidade
ah, quem sofre de amores partidos
é porque não tem amigos de verdade

Mas e eu? Que tenho muitos deles?
Que faço se por momentos de tristeza
pareço estar só, como aqueles
de amores e abraços partidos?

À que abrem seus tenros ouvidos?
À que se concentram tanto neles?
tal "não sei" que não tem a proeza
de ler sinais tão claros
de que há algo errado

Esperar sensibilidade é demais?
O é porque a gente o faz?
Não sei a maneira certa de proceder
porque creio que maneira certa não há

certo é o que há no meu peito
instinto, que não me é direito
Negar;

Me toma decepção.
Me faz ainda mais cético.
Me faz mostrar que ser ético
é patético.

Ou nada disso.

Me mostra que eu estou errado
que estou um pouco cansado
e que toda essa decepção
é só uma conspiração
da carência com o idealismo.

Mas isso seria me enganar.

Que o agnosticismo não me domine dessa vez. Se a dor é instintiva, que eu a sinta. Me agarre a ela como um como um bebê ao dedo do pai.

idéias foguetes tão apalpáveis como a certeza de que não posso voar.

Na velocidade da luz
no espaço sideral
quão distante possível
da minha compreensão.

E você amigo de verdade, pode evitar me magoar?
Como eu o tento?
Acredita em reciprocidade?
ou em rotatividade?


De que vale a beleza da flor se nao for pra ser cativada?

e a amizade murcha.
Porque quem a plantou já não quer mais regar.

Que a agua cativante ( que insiste e dar esperança na sua mera existência) chegue antes que a tesoura da decepção corte o último suspiro de vida dessa flor murcha.


E eu que tenha lágrimas instintivas para o funeral.
Ou que use meu último fio de esperança a esperar pela primavera que só chega ano que vem.

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